quarta-feira, 17 de março de 2010

Izidio Vilar dos Reis - Avô

Existem aquelas brisinhas agradáveis
que quando você menos imaginar pode
se tornar em um forte furação.
É como se você tivesse uma pessoa
muito especial do seu lado muito bem
de saúde e derrepente você se depara
em nunca mais viver com essa pessoa.
E você viverá só das lembranças.
Desde que nasci, morei na casa dos meus avós
junto com meus pais.
Depois de alguns anos, tive outros irmãos,
um irmão e uma irmã.
Após o nascimento da minha irmã, meus
avós se separaram, minha avó foi morar
em outra casa e meu avô ficou na casa com
a gente.
Nesse tempo, meu avô se tornou o nosso segundo
pai.
Muito engraçado, brincalhão, contava histórias
de pescador (mentiras), cantava umas músicas
que aprendera na vida.
Eu amava.
Sabe o que ele gostava?
De me chamar para ir assistir televisão
com ele no quarto com o papagaio na mão.
Meu avô tocava flauta.
Depois de um tempo eu entrei numa escola de música,
para aprender tocar sax.
Meu avô tinha muitos discos de instrumental sax, flauta,
clarinete e acordeon.
No decorrer do tempo ele passou a me chamar no
seu quarto para tocar flauta pra ele... ele gostava
de Asa Branca.
Era tão bom!
Depois de algum tempo meu avô sofreu de úlcera,
por que bebia muito. Antes disso sofreu de derrame.
Mas isso não tirava a sua alegria.
Minha mãe engravidou e meu avô ficou super feliz!
Sonhando em ver o rostinho da mais nova neta,
era uma menina!
Meu avô depois de algum tempo começou a passar mal,
levavam ele ao hospital e ninguem entendia o que ele tinha.
Davam suspeita de várias doenças e nenhuma foi confirmada.
O caso dele foi piorando, mas ninguem sabia o que ele tinha.
Trouxeram ele pra casa, e ele ja não andava, não cantava,
não falava.
Parecia uma criança, usava fraldas, comia papa e sopinha
de bebê.
Minha mãe ja estava com oito meses de gravidez.
Vovô tava feliz, eu tinha mostrado pra ele o filhinho
da minha prima, o seu bisneto. E ele dizia que a próxima
que ele iria ver era a minha irmã.
Um dia ele amanheceu muito bem, papai até falou que ele
parecia estar ficando curado. Ele até estava falando melhor.
Nesse dia vovô me chamou pra procurar um disco de sax que
ele queria ouvir, eu estava nas espectativas do nascimento da
minha irmã, arrumando umas coisinhas no quarto com a minha mãe.
Eu passei o olho nos discos e não achei.
E voltei pro quarto pra terminar de arrumar as coisas da bebê.
Depois de uma meia hora papai tava no quarto de vovô, meu
pai chamou a minha mãe pra lá e ela foi.
Eu fiquei no quarto da bebê arrumando.
Depois de uns segundos eu ouvia meu pai falando:
- Meu Deus, o que está acontecendo com meu pai?
E eu fiquei desconfiada, quis ir olhar, meu coração acelerou.
Eu tentei passar pro quarto dele, e o padrinho do meu
irmão não deixava eu passar.
E eu ouvia a voz de desespero dos meus pais.
Eu queria olhar meu avô, os meus irmãos também queriam,
mas ele não deixava.
Eu Empurrei ele e sai correndo pro quarto do meu avô.
Quando cheguei na porta, ele estava nos braços do meu pai
dando o último suspiro. Ele colocava um líquido estranho
pela boca e pelo nariz.
Meu mundo desabou.
Naquele momento meu pai pulou a janela quarendo se matar,
minha mãe começou a passar mal, e meu avô morto na cama
do seu quarto.
Eu não sabia o que fazer, chamei os vizinhos que correram pra ajudar,
o padrinho do meu irmão foi socorrer meu pai e eu fui ajudar minha mãe.
Fiquei com medo de perder tanta gente importante em um só dia.
Meu avô se foi, mas eu guardo aqui comigo a lembrança de tudo o que
vivemos, o seu rosto, olhar vivo, sua voz cantando,
falando e até mesmo brigando.
O seu sorriso, suas piadas, seus conselhos, suas orações pra eu ficar
boa de uma febre.
Incrível, depois de 20 dias a minha irmã nasceu, meu avô não a
conheceu, mas parece que ele voltou nela.
Ela parece muito com ele, tem o mesmo olhar vivo e brilhante, as mesmas
manias de se esconder pra assustar a gente, de ser carinhoso.
Vô eu te amo.. Eternas saudades de quem nunca irá te esquecer!

Autora (Danny Reis)



2 comentários:

Macaco Pipi disse...

que fofos :D

Kathylenne disse...

muito comovente amiga... saudades.. bjos